Madoff e a Lei de Gérson

December 22nd, 2008

Pensei que fossem apenas os brasileiros que gostassem de levar vantagem em tudo, felizmente me enganei.

O esquema de pirâmide é um clássico da Lei do Gérson que enganou e ainda (por incrível que pareça) engana os trouxas.

A receita para criar uma boa pirâmide é:

  • seja um cidadão acima de qualquer suspeita que tenha muita credibilidade no mercado financeiro (se for ex-presidente da Nasdaq melhor);
  • crie um fundo falso de investimento que remunera no mínimo 10% ao ano;
  • convença amigos ricos entre eles diretores de cinema, bancos, empresas a investir (se eles forem judeus como você melhor pois aumenta a credibilidade);
  • remunere os investidores mais antigos com o dinheiro daqueles que acabam de entrar no “negócio”.

Pronto está criado seu fundo engana trouxas de investimento.

Polícia não é o 007 mas tem licença para matar

December 18th, 2008

Mais uma vez as circunstâncias obrigam me a tratar da (des)conduta da polícia brasileira. Infelizmente o despreparo dos policiais civis, militares e guardas municipais é generalizado em todos os estados. Dessa vez foi a lamentável morte no torcedor são-paulino Nilton César de Jesus. Todos devem ter visto o vídeo repetido com exaustão em todas as emissoras de TV.
O detalhe mais surpreendente foi revelado por Carlos Silvério Almeida, o chefe da neurocirurgia do Hospital de Base de Brasília que atendeu o torcedor: “A fratura foi provocada pela coronhada” e mais “ele teria ficado na mesma situação se não houvesse o disparo”.
O sargento da PM José Luiz Carvalho, deu uma coronhada no torcedor que já não apresentava qualquer resistência e acidentalmente a arma disparou contra a cabeça do jovem. O policial ficou visível atônito sem acreditar no que havia acontecido.
Traçando um paralelo com as recentes manifestações na Grécia contra a morte de um estudante por um policial percebemos a passividade do brasileiro. Não confundir com pacifidade (nem sei se existe esta palavra, procurei em alguns dicionários on line e não encontrei).
Estes protestos se espalharam por outras cidades européias e ainda não cessaram. Claro que o crime cometido pelo policial foi apenas o estopim de problemas sociais e econômicos enfrentados pelos gregos.
Aqui no Brasil não vi nenhum protesto ou manifestação (além da família e amigos) contra a criminosa conduta da polícia no caso da abordagem ao torcedor são-paulino. Será que um dos motivos para essa apatia é que a maioria considera torcedores principalmente os de torcidas organizadas como bandidos. Claro que motivos não faltam pois na maioria das vezes estes torcedores agem como bando que estão mais interessados em cometer crimes (agredir torcedores adversários e policiais, depredar o patrimônio público e privado, entre outros).
É interessante notar que quase a metade dos brasileiros (43% para ser mais preciso) concordam (totalmente ou em parte) com a frase: “bandido bom e bandido morto” segundo pesquisa encomendada pela Secretaria dos Direitos Humanos. Talvez seja este pensamento que permite que a polícia aja com violência e impunidade.
Exagero ? Apenas dois exemplos recentes sobre ações desastrosas da polícia:
O primeiro caso aconteceu no Paraná quando policiais militares mal treinados foram acionados devido ao barulho de uma festa. Aconteceu em São José dos Pinhais mas poderia ter acontecido na sua cidade ou quem sabe na sua casa.
O segundo caso ocorreu em Santa Catarina com um policial matando um comerciante após disparar uma bala de borracha de uma espingarda calibre 12 à queima roupa.
desfecho é sempre o mesmo: afastam-se os policiais e aguarda-se o fim do inquérito e/ou processo administrativo que na maioria dos casos acaba dando em nada (pizza). Esta impunidade tem como consequência o alto índice de violência policial expresso na seguinte estatística: a cada 12 assassinatos em SP um é praticado por policial militar.
O Brasil deveria se espelhar no exemplo da Grécia, berço da civilização ocidental,  para sairmos deste marasmo que assola nossa população para exigir policiais melhores preparados para atuar contra a violência.

Fonte da foto: Gazeta do Povo

Concurso para investigador da Polícia Civil

December 11th, 2008

A perspectiva de estabilidade e bons salários (para a média brasileira) atraem um número cada vez maior de candidatos em concursos públicos. Há uma verdadeira indústria dos concursos que além do próprio Estado beneficia empresas contratadas para elaboração e aplicação das provas, cursos preparatórios, editoras que fazem apostilas, jornais e revistas.

Apenas para termos uma idéia de quanto o Estado arrecada com concursos vou dar o exemplo da prova que aconteceu no último domingo (07/12/2008) para o cargo de investigador de polícia da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Foram 128 mil candidatos (para 1.449 vagas) que pagaram R$ 32,74 totalizando R$ 4.190.720,00. Descontando as reduções da taxa de inscrição e dos portadores de deficiência previstas em lei que pagaram R$ 8,20 a arrecadação deve ter ficado em torno de R$ 3.562.112 (considerando que 15% dos total de inscritos pagaram a taxa reduzida).
Esta foi a arrecadação bruta se considerarmos os custos com a elaboração e execução do concurso em algo em torno de R$ 8,00 por candidato teremos a quantia líquida de R$ 2.538.112,00. Nada mal para apenas um concurso.

Qual o objetivo de um concurso público ? Avaliar o conhecimento do melhor candidato para uma determinada vaga. Certo ? Nem sempre. Alguns examinadores exigem conhecimentos metafísicos dos candidatos. Neste concurso não foi diferente.
Um investigador de polícia precisa de conhecimento avançado de informática para o bom desempenho do seu cargo ? Veja algumas questões e tire suas conclusões:
84- A memória incorporada nos microprocessadores destinada a aumentar a taxa de transferência entre a RAM e o processador é denominada memória:
Ainda não concorda comigo veja mais duas questões:
94- São exemplos de protocolos da camada de aplicação do modelo OSI:
97- O FSB (Front Side Bus) também conhecido como barramento frontal realiza a ligação entre:
Em um passado não muito remoto o examinador deste concurso era pior … muito pior: exigia que o candidato soubesse história e geografia como condição para a investidura ao cargo de investigador de polícia. Nada contra essas duas áreas do conhecimento, muito pelo contrário, mas qual a importância delas para futuros policiais ?
Só tenho uma explicação para questões tão complexas em um concurso para policiais, o examinador deixou para a parte de informática ser o fiel da balança para os candidatos.
Claro que este concurso será bastante diferente dos anteriores e o nível das questões mostrou isso talvez preparando-se para quando exigir o nível superior de seus candidatos (questão controversa que é discutida há anos). As várias fases dos concurso provam que o processo seletivo será mais rigoroso e criterioso.
Outro fato bastante intrigante é que a elaboração de todo concurso é feito pela própria polícia civil através da sua academia de polícia e não por uma empresa especializada em concursos como ocorre nos principais concursos do Brasil. Quais seriam as justificativas para isso ? Medo de perda do controle do processo ? Medo da perda da influência dos “cardeais” em possíveis “indicados” ? Será que a economia com a não contratação de uma empresa especializada na realização do concurso justifica possíveis desvios no processo seletivo ? Além de outros detalhes que mostram o despreparo como não constar no edital a data e os locais das provas.
Vamos aguardar que a elaboração dos próximos concursos seja adequada ao nível dos policiais que o estado de São Paulo merece.

Lei de Gérson ainda prevalece

December 11th, 2008

Quando eu penso que o brasileiro está se regenerando vem um fdp que me faz desanimar novamente.

Não tenho muita confiança que o brasileiro consiga ainda neste século (ou milênio) se livrar da cultura de levar vantagem em tudo até nas coisas mais irrelevantes, a famosa Lei do Gérson.
No último domingo fui buscar um frango assado na padaria (nem precisa falar que é coisa de pobre que seu já sei) e havia uma fila de aproximadamente 20 pessoas. Um indivíduo para não falar outra coisa chegou e perguntou para a atendente, uma senhora japonesa, eu já paguei tenho que pegar fila ? Ela foi curta e grossa: SIM ! Tentou se utilizar do poder econômico para obter uma vantagem anti-ética. A maioria que estava na fila havia pago também então este argumento não funcionou. Passados alguns minutos e aproveitando da distração da atendente ele resolveu insistir com o marido japonês da mesma: eu já paguei e vou querer o frango inteiro, mesmo assim precisarei pegar fila e novamente ouviu a mesma resposta: SIM ! Agora tentou se utilizar da facilidade para ganhar uma vantagem. Ao poupar o trabalho do atendente de não ter que cortar o frango pensou que poderia passar na frente das demais pessoas que aguardavam na fila.
A cultura oriental do casal japonês de atendentes conseguiu passar a limpo a Lei do Gérson que alguns insistem de se utilizar.