Concurso para investigador da Polícia Civil

A perspectiva de estabilidade e bons salários (para a média brasileira) atraem um número cada vez maior de candidatos em concursos públicos. Há uma verdadeira indústria dos concursos que além do próprio Estado beneficia empresas contratadas para elaboração e aplicação das provas, cursos preparatórios, editoras que fazem apostilas, jornais e revistas.

Apenas para termos uma idéia de quanto o Estado arrecada com concursos vou dar o exemplo da prova que aconteceu no último domingo (07/12/2008) para o cargo de investigador de polícia da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Foram 128 mil candidatos (para 1.449 vagas) que pagaram R$ 32,74 totalizando R$ 4.190.720,00. Descontando as reduções da taxa de inscrição e dos portadores de deficiência previstas em lei que pagaram R$ 8,20 a arrecadação deve ter ficado em torno de R$ 3.562.112 (considerando que 15% dos total de inscritos pagaram a taxa reduzida).
Esta foi a arrecadação bruta se considerarmos os custos com a elaboração e execução do concurso em algo em torno de R$ 8,00 por candidato teremos a quantia líquida de R$ 2.538.112,00. Nada mal para apenas um concurso.

Qual o objetivo de um concurso público ? Avaliar o conhecimento do melhor candidato para uma determinada vaga. Certo ? Nem sempre. Alguns examinadores exigem conhecimentos metafísicos dos candidatos. Neste concurso não foi diferente.
Um investigador de polícia precisa de conhecimento avançado de informática para o bom desempenho do seu cargo ? Veja algumas questões e tire suas conclusões:
84- A memória incorporada nos microprocessadores destinada a aumentar a taxa de transferência entre a RAM e o processador é denominada memória:
Ainda não concorda comigo veja mais duas questões:
94- São exemplos de protocolos da camada de aplicação do modelo OSI:
97- O FSB (Front Side Bus) também conhecido como barramento frontal realiza a ligação entre:
Em um passado não muito remoto o examinador deste concurso era pior … muito pior: exigia que o candidato soubesse história e geografia como condição para a investidura ao cargo de investigador de polícia. Nada contra essas duas áreas do conhecimento, muito pelo contrário, mas qual a importância delas para futuros policiais ?
Só tenho uma explicação para questões tão complexas em um concurso para policiais, o examinador deixou para a parte de informática ser o fiel da balança para os candidatos.
Claro que este concurso será bastante diferente dos anteriores e o nível das questões mostrou isso talvez preparando-se para quando exigir o nível superior de seus candidatos (questão controversa que é discutida há anos). As várias fases dos concurso provam que o processo seletivo será mais rigoroso e criterioso.
Outro fato bastante intrigante é que a elaboração de todo concurso é feito pela própria polícia civil através da sua academia de polícia e não por uma empresa especializada em concursos como ocorre nos principais concursos do Brasil. Quais seriam as justificativas para isso ? Medo de perda do controle do processo ? Medo da perda da influência dos “cardeais” em possíveis “indicados” ? Será que a economia com a não contratação de uma empresa especializada na realização do concurso justifica possíveis desvios no processo seletivo ? Além de outros detalhes que mostram o despreparo como não constar no edital a data e os locais das provas.
Vamos aguardar que a elaboração dos próximos concursos seja adequada ao nível dos policiais que o estado de São Paulo merece.

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