Polícia não é o 007 mas tem licença para matar

Mais uma vez as circunstâncias obrigam me a tratar da (des)conduta da polícia brasileira. Infelizmente o despreparo dos policiais civis, militares e guardas municipais é generalizado em todos os estados. Dessa vez foi a lamentável morte no torcedor são-paulino Nilton César de Jesus. Todos devem ter visto o vídeo repetido com exaustão em todas as emissoras de TV.
O detalhe mais surpreendente foi revelado por Carlos Silvério Almeida, o chefe da neurocirurgia do Hospital de Base de Brasília que atendeu o torcedor: “A fratura foi provocada pela coronhada” e mais “ele teria ficado na mesma situação se não houvesse o disparo”.
O sargento da PM José Luiz Carvalho, deu uma coronhada no torcedor que já não apresentava qualquer resistência e acidentalmente a arma disparou contra a cabeça do jovem. O policial ficou visível atônito sem acreditar no que havia acontecido.
Traçando um paralelo com as recentes manifestações na Grécia contra a morte de um estudante por um policial percebemos a passividade do brasileiro. Não confundir com pacifidade (nem sei se existe esta palavra, procurei em alguns dicionários on line e não encontrei).
Estes protestos se espalharam por outras cidades européias e ainda não cessaram. Claro que o crime cometido pelo policial foi apenas o estopim de problemas sociais e econômicos enfrentados pelos gregos.
Aqui no Brasil não vi nenhum protesto ou manifestação (além da família e amigos) contra a criminosa conduta da polícia no caso da abordagem ao torcedor são-paulino. Será que um dos motivos para essa apatia é que a maioria considera torcedores principalmente os de torcidas organizadas como bandidos. Claro que motivos não faltam pois na maioria das vezes estes torcedores agem como bando que estão mais interessados em cometer crimes (agredir torcedores adversários e policiais, depredar o patrimônio público e privado, entre outros).
É interessante notar que quase a metade dos brasileiros (43% para ser mais preciso) concordam (totalmente ou em parte) com a frase: “bandido bom e bandido morto” segundo pesquisa encomendada pela Secretaria dos Direitos Humanos. Talvez seja este pensamento que permite que a polícia aja com violência e impunidade.
Exagero ? Apenas dois exemplos recentes sobre ações desastrosas da polícia:
O primeiro caso aconteceu no Paraná quando policiais militares mal treinados foram acionados devido ao barulho de uma festa. Aconteceu em São José dos Pinhais mas poderia ter acontecido na sua cidade ou quem sabe na sua casa.
O segundo caso ocorreu em Santa Catarina com um policial matando um comerciante após disparar uma bala de borracha de uma espingarda calibre 12 à queima roupa.
desfecho é sempre o mesmo: afastam-se os policiais e aguarda-se o fim do inquérito e/ou processo administrativo que na maioria dos casos acaba dando em nada (pizza). Esta impunidade tem como consequência o alto índice de violência policial expresso na seguinte estatística: a cada 12 assassinatos em SP um é praticado por policial militar.
O Brasil deveria se espelhar no exemplo da Grécia, berço da civilização ocidental,  para sairmos deste marasmo que assola nossa população para exigir policiais melhores preparados para atuar contra a violência.

Fonte da foto: Gazeta do Povo

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